Patrocinense, economista pela UFMG e membro da Academia Patrocinense de Letras. Cronista, colunista e historiador da imprensa local.
Desenvolvimento social de Patrocínio não é bom, diz FJP
IMRS aponta baixo desenvolvimento social em Patrocínio, segundo Eustáquio Amaral
25 de outubro de 2026

Prosperidade. A maioria dos cidadãos sabe que o progresso ou, como queiram, o desenvolvimento de uma cidade não é medido por índices pouco confiáveis, privados e até pagos por interesses políticos. Desenvolvimento exige credibilidade. Confiança. E o que vale mesmo são os indicadores públicos, tais como os do IBGE, da Fundação João Pinheiro (FJP), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Banco Central. Dessa vez, a boa informação vem do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), da respeitável Fundação João Pinheiro. Nele (IMRS), podem ser avaliadas cinco áreas (setores) do município: Educação; Saúde; Segurança Pública; Vulnerabilidade Social; e Saneamento, Habitação e Meio Ambiente. Somados, esses cinco setores do IMRS reúnem 25 indicadores que apresentam o progresso social municipal (de cada município). Recentemente, a FJP publicou o IMRS de 2024 e o comparou com os IMRS de 2020, 2021, 2022 e 2023. Com essa ferramenta, Patrocínio é analisado.
O IMRS DE PATROCÍNIO – Nos últimos cinco anos, o melhor IMRS foi o de 2024, com 0,389. Aliás, o município tem avançado um pouco nesse índice, essencialmente social. Os piores anos foram 2019 e 2020. Embora esteja evoluindo, o IMRS de Patrocínio é considerado de intermediário para baixo. O ideal seria alcançar algo em torno de 0,7, 0,8 ou 0,9.
MAS O QUE É IMRS? – É um índice desenvolvido pela FJP com o objetivo de acompanhar, monitorar e avaliar a realidade socioeconômica em diferentes áreas do desenvolvimento social. Em outras palavras, é um índice que permite avaliar o desempenho da gestão pública municipal nos 853 municípios mineiros e também verificar as condições de vida da população. Em resumo, é a visão conjunta de 25 indicadores, distribuídos em cinco setores. Esses 25 indicadores, juntos, resultam no IMRS Geral de 2024. No caso específico de Patrocínio, o índice foi de 0,389. A seguir, os cinco setores com seus respectivos IMRS individuais. Cada setor (área) tem o seu. Em Patrocínio, há três com resultados melhores e dois setores com desempenho péssimo.
IMRS DA SEGURANÇA É O MELHOR – A taxa de ocorrência de homicídios dolosos (com intenção de matar) chegou a 11 em 2024, segundo os dados apresentados. Taxa menor do que a média do Estado. O melhor resultado foi registrado em 2023, com 6. A taxa de crimes violentos contra o patrimônio (furto, roubo e estelionato), em 2024, foi de 80, um resultado um pouco alto. Já o número de policiais militares era baixo em 2019. Havia algo em torno de um policial para atender 600 pessoas, em média. Felizmente, em 2022, eram somente 188 pessoas para cada policial, o que é positivo. Enfim, considerando esses três indicadores de Segurança Pública, o IMRS do setor atingiu 0,675. Em poucas palavras, é o melhor resultado entre os setores avaliados. Entretanto, há espaço para melhorias.
IMRS DE SAÚDE É O SEGUNDO MELHOR – Seis indicadores, juntos, demonstram, em um só índice, a situação da área (setor) de Saúde em Patrocínio. Pode ser considerada boa, mas ainda carece de melhorias. O índice do IMRS de Saúde é 0,648. Isso significa um resultado de aproximadamente 65% na escala do índice, embora não represente necessariamente um percentual de serviços satisfatórios. Esse índice é resultado de seis indicadores. O primeiro é o “Acesso e Qualidade dos Serviços Públicos”. Aqui estão as consultas de pré-natal (90%), as internações por condições evitáveis (26%) e a disponibilidade de médicos. Nesse último aspecto, Patrocínio tem quase dois médicos por mil habitantes, porém, segundo o texto original, está distante da média de Minas Gerais, indicada como oito médicos por mil habitantes.
SEGUEM MAIS TRÊS INDICADORES DE SAÚDE – Mortalidade por Doenças Crônicas Não Transmissíveis, Óbitos por Causas Mal Definidas e Mortalidade Infantil. Analisando esses seis indicadores, chega-se ao IMRS de Saúde de Patrocínio, que ainda merece atenção.
EDUCAÇÃO É O TERCEIRO MELHOR – Todavia, precisa avançar, segundo a análise da FJP. Em resumo, 60% muito bom e 40% não. O IMRS de Educação é 0,608. O índice também resulta da avaliação de seis indicadores: Taxa de Atendimento da Educação Básica; Taxa de Distorção Idade-Série dos Anos Finais do Ensino Fundamental; Docentes na Educação Infantil; Docentes nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental; Docentes nos Anos Finais do Ensino Fundamental; e Índice de Qualidade da Educação (IQE).
OS PIORES – Seis indicadores mostram a Vulnerabilidade Social, cujo índice do IMRS é 0,204. Para todo mundo entender, o resultado é baixo. Entre os exemplos citados, 36% da população está inscrita no Cadastro Único. Só 40% dos empregos formais têm carteira assinada. Além disso, quatro indicadores apontam a debilidade de Patrocínio no quinto setor (área): Saneamento, Habitação e Meio Ambiente, cujo IMRS é muito baixo. O índice é 0,126. Ou seja, também é um resultado baixo. Em breve, serão apresentados mais detalhes sobre esses dois setores com os piores resultados.
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