# Drª Karina Alvarenga

CIRURGIA BARIÁTRICA

15 de Março de 2018 às 07:59

É muito comum encontrarmos relatos de superação de pessoas que mudaram as suas vidas após realizar a cirurgia bariátrica. Pessoas essas que eliminaram muitos quilos e, consequentemente, obtiveram uma melhora qualidade de vida e o resgate de sua autoestima.

As mídias mostram muito dos êxitos, mas, o que poucos têm consciência é de que a cirurgia bariátrica é algo muito sério e que não deve ser vista (e vendida) como um “milagre”.

O marketing do emagrecimento gerou uma glamourização em torno do procedimento e faz muita gente se perder, acreditando que a cirurgia resolve absolutamente tudo e que não é preciso mais realizar dietas ou se preocupar em engordar.

Em primeiro lugar, devemos ter sempre em mente que a cirurgia é uma excelente opção a longo prazo para indivíduos com obesidade grave, ou com obesidade associado a doenças causadas ou agravadas por ela, quando bem indicadas. O número de pacientes que recuperam o peso após cirurgia bariátrica (8 a 10%) é muito menor do que aqueles que recuperam o peso após tratamento clínico (80 a 90%). Isso se deve ao fato de muitos interromperem o tratamento clínico por conta própria.

A intervenção, oferecida gratuitamente pelo SUS, realmente salva vidas, mas poucos sabem que, na verdade, é um verdadeiro casamento para toda a vida, que requer uma intensa disciplina e acompanhamento médico.

É importante frisar alguns pontos:

• Cirurgia não transforma a personalidade: na medicina, cada caso é um caso, e a cirurgia bariátrica é uma boa opção para muitos pacientes. Porém, é cada vez mais frequente o número de pessoas que partem direto para a realização do procedimento antes mesmo de tentar se reorganizar ou tratar possíveis distúrbios, como a compulsão alimentar. O resultado? Sem mudar o comportamento não adianta fazer a cirurgia, pois sempre há o risco de voltar a ganhar peso além de gerar uma sensação de fracasso ao paciente (cobrado por si mesmos e pelos outros).

• Rever a relação com a comida é uma prioridade: um alerta muito importante para todos que estão pensando em fazer a cirurgia ou já fizeram e estão enfrentando dificuldades de adaptação é: não deixem de lado o seu estado emocional e melhore a sua relação com a comida. Deixe antigas crenças e hábitos de lado e confie no seu corpo. Mudar hábitos pode ser demorado e, por vezes, difícil, mas, lembre-se, é para a vida toda!

Por isso, é importante avaliar todas as opções com calma e cuidado antes de decidir o que fazer! Não existe milagre e sim readaptação, trabalho e dedicação!

Os paciente precisam se sentir acolhidos pelo médico e não julgados. Se ganham peso após esse procedimento, precisam entender que por estarem extremamente adaptados ao excesso peso que o hipotálamo luta para voltar ao peso anterior. Nessas pessoas as modificações hormonais que ocorrem após a cirurgia bariátrica não ocorreu de modo tão significativo. Peso é sempre um problema crônico, a cirurgia é um bom recurso, mas o acompanhamento médico a longo prazo continua sendo a base do sucesso.

 

É importante também reconhecer fatores, antes da cirurgia, que possam significar maior chance de recuperação do peso ou perda insuficiente: padrão beliscador (pessoas que gostam de comer várias vezes em pequenas quantidades, principalmente doces), consumo freqüente de álcool, uso de medicações que engordem (como alguns antidepressivos e antipsicóticos), depressão/transtorno de ansiedade, entre outros. E, além disso, reconhecer, no pós-operatório outros fatores como má aderência ao plano nutricional, sedentarismo, e principalmente, acompanhamento médico irregular. É fundamental que pacientes operados sigam fazendo acompanhamento, para a analisar a velocidade de perda de peso, quando chegou no platô, se tem indícios de recuperação, uso correto das vitaminas, etc.

A equipe de saúde precisa se dedicar cada vez mais em acolher esse paciente, principalmente no que diz respeito as orientações nutricionais. Entender, até mesmo, que muitos pacientes pós operados necessitarão de medicações de forma contínua para continuar mantendo ou perdendo o peso. Reabordagem cirúrgica é exceção.  

 

Fonte: Dr Bruno Halpern e Blog Viva Bem