# Drª Karina Alvarenga

PERDÃO: a maior ferramenta de cura.

19 de Dezembro de 2017 às 13:27

 

 

“Use a paciência e o perdão infatigavelmente. Todos nós temos sido caridosamente tolerados pela Bondade Divina milhões de vezes, e conservar o coração no vinagre da intolerância é provocar a própria queda na morte inútil.”

Aulas da Vida. Francisco Cândido Xavier e Espírito André Luiz.

 

A ciência já conseguiu provar através da psiconeuroimunoendocrinologia que a mágoa guardada e alimentada provoca desarmonia fisiológica e causa doenças. Até mesmo as mágoas mais profundas e que, por mecanismos de defesa, acreditamos estarem resolvidas, são como venenos para nosso corpo físico e trazem inúmeras enfermidades.

 

“Não perdoar é como beber veneno desejando que o outro morra.”

Shakespeare

 

Por existir em nosso psiquismo a lei do “dente por dente e olho por olho” dos antepassados, acredita-se que perdoar é um ato de submissão, covardia, esquecimento, falta de reação e permissão para que o outro se sobreponha. E essa visão dificulta o processo de perdoar.

 

Na verdade é preciso entender que perdoar é decidir-se pela paz. O peso da mágoa é limitante. É preciso optar por não multiplicar as consequências danosas de um ato infeliz. Essa conquista exige trabalho e esforço – atitude.

 

A vingança, ao contrário do perdão, é “escravizante”, gerando emoções perturbadas e abrindo porta para entidades obsessoras que irão alimentar o ódio, angústia e infelicidade.

 

Nesse processo de busca pelo perdão, ao contrário do que se imagina, não há espaço para esquecimento. Não é deixar pra lá. Esse comportamento pode representar a fuga, a insegurança, o medo, a incapacidade de lidar com o sofrimento.

 

Também prejudica a marcha o cultivo da dor e a lamentação. Aliás, esse caminho é muito perigoso de ser trilhado. Aqui o doente da alma pode encontrar um lugar cômodo chamado vitimização. Onde encontra a piedade do outro e a comiseração. Entretanto, estará cada vez mais doente por não conseguir perdoar.

 

Desiludir-se faz parte da busca pelo perdão. É muito comum que o ser humano tenha visões idealizadas da vida, crie expectativas que, se não alimentadas, geram mágoas profundas. Criamos estereótipos do amigo perfeito, da mãe perfeita, do filho perfeito, etc. Assim, precisamos enxergar os seres como reais, ora com seu lado bom e humano, ora com os defeitos e egoísmo. Criamos estados mentais fixos e desejamos que todos caibam em nossos conceitos onde na verdade nós, por caridade, deveríamos aceitar aqueles que amamos como são verdadeiramente. Desiludir-se dos príncipes e princesas.

 

 Para perdoar é necessário a alteridade: “capacidade de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença” – Frei Beto. Valorizar e entender as diferenças.

 

Outra reflexão que deve se fazer é o fato de um incidente poder magoar profundamente uma pessoa e ao mesmo tempo não ter importância para outra. Isso se deve a verdade única de que a dor e o sofrimento dependem exclusivamente das interpretações e da vivência de cada um. “Ninguém pode fazer alguém infeliz sem o seu consentimento”. O que estamos permitindo em nossos corações? Quais sentimentos estamos alimentando?

 

Durante a vida experimentaremos várias emoções: alegria, raiva, tristeza, medo e etc. O que define saúde é a forma, a resposta comportamental frente essas emoções. A alegria exacerbada torna-se euforia, a alegria reprimida é apatia. O medo em excesso torna-se o pânico, o medo reprimido coloca o indivíduo destemido em risco. A tristeza não vivida será melancolia, a exacerbada será depressão. O segredo: aprender a lidar com as emoções para caminhar em direção ao perdão.

 

Como elaborar passos para conseguir perdoar?

 

  • Autoconhecimento, saiba como se sente e conte isso para pessoas de confiança sem se preocupar com seus sentimentos contraditórios. Falar pode ser proveitoso.
  • Comprometer-se a fazer o que for preciso para melhorar independente do tempo que isso pode levar. Você merece retirar dos ombros o peso da dor, da angústia e da mágoa.
  • Entenda seus objetivos. O principal será encontrar a paz para alma e poder seguir adiante.
  • Observe o cenário. Reconheça que o mal estar atual vem de sentimentos negativos e desconforto físico que você sofre agora e não do passado. Deixe o passado no passado.
  • Busque técnicas de auxílio da ansiedade e do estresse quando a aflição vier. Meditação, passe, água fluidificada, prece, etc.
  • Desenvolva amor próprio. Sofremos mais por falta desse amor.
  • “Desista de esperar de outras pessoas coisas que elas não escolheram dar a você”.
  • Mude estratégia. O ressentimento é improdutivo. Escolha outro caminho.
  • Uma vida bem vivida é sempre a melhor resposta. Busque o amor, a bondade e a beleza.
  • Passe de vítima a herói. Perdoar é um ato heroico.

Cura e Autocura. Uma visão médico espírita.

Andrei Moreira

É preciso ter fé na imortalidade da alma e na bondosa justiça de Deus. É preciso ter resiliência e flexibilidade diante dos caminhos da vida. É preciso se libertar para seguir adiante. A sua cura se chama: Perdão.