Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte foto: Cláudio Lacerda/Smed
Aos 92 anos, José Maria Borges continua frequentando a escola em busca de conhecimento. Considerado um dos estudantes mais velhos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal de Belo Horizonte, ele recebeu uma homenagem especial pelo seu aniversário, celebrado ontem (23/9). A comemoração foi preparada pela gerência de EJA, em parceria com a DIRE Pampulha e a direção da Escola Municipal Anne Frank, onde ele estuda. Familiares e profissionais da rede participaram do evento, que celebrou a inspiradora trajetória do aluno.
Nascido em 23 de setembro de 1934, em São João Evangelista, interior de Minas Gerais, José Maria iniciou sua trajetória na EJA na Escola Municipal Professora Alice Nassif, onde estudou até 2016. Com o encerramento da oferta da modalidade na unidade, ele não interrompeu os estudos. Entre 2017 e 2018, frequentou uma turma externa da Escola Municipal Caio Líbano Soares. Em 2019, chegou à Anne Frank, onde permanece até hoje.
Para José Maria, voltar à escola é motivo de alegria e representa a oportunidade de continuar aprendendo. “É um prazer estar aqui. Fico mais alegre, mais confortável, despreocupado. Quero aprender a ler e a escrever, observar o que os outros dizem e aprender a fazer as coisas”.
Vera Lucia Silva Mesquita é uma das professoras de José Maria. Segundo ela, o aluno é muito assíduo às aulas, chegando no início do turno e permanecendo até o final. “É um aluno dedicado, que copia todas as atividades e mantém uma letra muito bonita. Nos momentos de certa dificuldade para compreender alguns conteúdos, basta ele receber a atenção de alguém, que se senta ao lado para explicar com calma, que consegue realizar as atividades propostas”, afirma.
Além da dedicação com os estudos, a cordialidade em sala de aula é outro ponto forte de José Maria. “Ele é uma pessoa muito educada, gentil e querida por todos na escola. Mantém sempre a cordialidade, responde com um sorriso e demonstra muito carinho no convívio com professores e colegas”, completa a professora.
A história de José Maria é um exemplo da diversidade de trajetórias na EJA de Belo Horizonte. A modalidade atende atualmente 6.688 estudantes de 15 a 102 anos, sendo 37 com mais de 90 anos, mostrando que o retorno à escola pode acontecer em diferentes momentos da vida.
Vida marcada pelo trabalho e vontade de aprender
A filha de José Maria, Valquíria Borges Ferreira, conta que ele é o segundo de sete irmãos e conheceu ainda criança as dificuldades da vida. Perdeu o pai aos 7 anos e aos 10 deixou a casa da família para trabalhar em fazendas da região.
Aos 36 anos, os caminhos da vida o levaram para Machacalis, no Norte de Minas. Foi na cidade que conheceu Maristela, com quem se casou e constituiu família. Os primeiros anos do casal foram vividos na roça.









