O exercício do jornalismo, essencial para a democracia e para o direito da sociedade à informação, continua sendo uma atividade marcada por riscos em diferentes partes do mundo. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas coloca em evidência uma realidade preocupante: profissionais da imprensa seguem sendo ameaçados, agredidos, presos arbitrariamente e assassinados por exercerem o trabalho de informar.
A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção dos governos e da sociedade para a necessidade de proteger jornalistas, investigar crimes cometidos contra esses profissionais e responsabilizar seus autores.
Mais do que uma homenagem à imprensa, o dia representa um alerta sobre a importância de garantir condições para que jornalistas possam trabalhar sem medo, especialmente quando suas reportagens envolvem denúncias, conflitos, corrupção e questões de interesse público.
Unesco registra 189 jornalistas assassinados em dois anos
Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que 189 jornalistas foram assassinados em 2024 e 2025.
O número representa o maior registro de mortes desde o biênio 2014/2015, quando foram contabilizados 215 casos.
Dos assassinatos registrados no período, 127 ocorreram em países que enfrentam conflitos armados, correspondendo a aproximadamente 67% do total. O levantamento também identificou que 50 profissionais foram mortos em ataques com drones.
Os números evidenciam a vulnerabilidade dos jornalistas que atuam em zonas de guerra, onde o trabalho de documentar acontecimentos, verificar informações e revelar a dimensão dos conflitos pode representar um risco extremo.
Apenas 14% dos assassinatos foram solucionados
A impunidade permanece como um dos principais obstáculos à proteção da imprensa.
Segundo a Unesco, 1.641 jornalistas foram assassinados em todo o mundo desde 2006. Desse total, apenas 223 casos foram solucionados pela Justiça, o equivalente a 14%.
Outros 1.013 assassinatos permanecem sem solução, enquanto em 321 situações não houve resposta das autoridades consultadas pela organização.
O levantamento aponta que 86% dos casos permanecem sem solução ou sem uma resposta conclusiva, cenário que contribui para a continuidade da violência e enfraquece a liberdade de imprensa.







