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Dia internacional alerta para violência contra jornalistas e impunidade que ameaça a democracia

ONU destaca a importância da liberdade de imprensa; relatório da Unesco aponta 189 profissionais assassinados em 2024 e 2025 e revela que 86% dos crimes registrados desde 2006 permanecem sem solução

2 de novembro de 2026

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Dia internacional alerta para violência contra jornalistas e impunidade que ameaça a democracia

O exercício do jornalismo, essencial para a democracia e para o direito da sociedade à informação, continua sendo uma atividade marcada por riscos em diferentes partes do mundo. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas coloca em evidência uma realidade preocupante: profissionais da imprensa seguem sendo ameaçados, agredidos, presos arbitrariamente e assassinados por exercerem o trabalho de informar.

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para chamar a atenção dos governos e da sociedade para a necessidade de proteger jornalistas, investigar crimes cometidos contra esses profissionais e responsabilizar seus autores.

Mais do que uma homenagem à imprensa, o dia representa um alerta sobre a importância de garantir condições para que jornalistas possam trabalhar sem medo, especialmente quando suas reportagens envolvem denúncias, conflitos, corrupção e questões de interesse público.

Unesco registra 189 jornalistas assassinados em dois anos

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aponta que 189 jornalistas foram assassinados em 2024 e 2025.

O número representa o maior registro de mortes desde o biênio 2014/2015, quando foram contabilizados 215 casos.

Dos assassinatos registrados no período, 127 ocorreram em países que enfrentam conflitos armados, correspondendo a aproximadamente 67% do total. O levantamento também identificou que 50 profissionais foram mortos em ataques com drones.

Os números evidenciam a vulnerabilidade dos jornalistas que atuam em zonas de guerra, onde o trabalho de documentar acontecimentos, verificar informações e revelar a dimensão dos conflitos pode representar um risco extremo.

Apenas 14% dos assassinatos foram solucionados

A impunidade permanece como um dos principais obstáculos à proteção da imprensa.

Segundo a Unesco, 1.641 jornalistas foram assassinados em todo o mundo desde 2006. Desse total, apenas 223 casos foram solucionados pela Justiça, o equivalente a 14%.

Outros 1.013 assassinatos permanecem sem solução, enquanto em 321 situações não houve resposta das autoridades consultadas pela organização.

O levantamento aponta que 86% dos casos permanecem sem solução ou sem uma resposta conclusiva, cenário que contribui para a continuidade da violência e enfraquece a liberdade de imprensa.

A falta de investigação e responsabilização também transmite uma mensagem perigosa: atacar jornalistas pode não resultar em consequências.

A violência vai além dos assassinatos

Os riscos enfrentados pelos profissionais da imprensa não se limitam às mortes. Sequestros, desaparecimentos forçados, detenções arbitrárias, ameaças, agressões físicas e ataques virtuais também fazem parte da realidade de jornalistas em diferentes países.

Essas práticas podem provocar autocensura, impedir a divulgação de informações relevantes e comprometer o trabalho de fiscalização das instituições públicas.

Quando um jornalista é silenciado, a consequência ultrapassa a vítima e sua família. A sociedade também perde a oportunidade de conhecer fatos, acompanhar decisões e cobrar responsabilidades.

Brasil adota protocolo para investigar crimes contra jornalistas

No Brasil, uma das iniciativas mencionadas pela Unesco é o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A medida estabelece orientações para a investigação de crimes relacionados à atividade jornalística, buscando contribuir para a apuração adequada das ocorrências e para a responsabilização dos envolvidos.

A iniciativa integra os esforços para fortalecer a proteção dos profissionais da comunicação e combater a impunidade.

Proteger jornalistas é proteger a sociedade

Neste 2 de novembro, a mensagem da ONU vai além da defesa de uma categoria profissional. Proteger jornalistas significa preservar o direito coletivo à informação, garantir a liberdade de expressão e fortalecer os princípios democráticos.

Em um cenário marcado pela desinformação, pela polarização e por ataques à imprensa, o trabalho jornalístico continua sendo fundamental para revelar fatos, contextualizar acontecimentos e oferecer à população elementos para formar suas próprias opiniões.

A liberdade de imprensa não se sustenta apenas no direito de publicar. Ela depende também da segurança de quem informa e da certeza de que crimes contra jornalistas serão investigados e punidos.

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