O mês de setembro começa com mudanças importantes no cenário dos pagamentos instantâneos no Brasil. A partir desta terça-feira (1º), entram em vigor novas diretrizes do Banco Central que afetam diretamente a segurança e a rotina de quem utiliza o Pix, seja no dia a dia ou na gestão de pequenos negócios. As atualizações combinam o reforço nos mecanismos de defesa contra fraudes — com destaque para a Instrução Normativa BCB nº 766 — e a adaptação do mercado para os limites operacionais de transações por aproximação e carteiras digitais.
O combate ao golpe do MED e a ampliação do prazo para lojistas
A principal novidade voltada à segurança jurídica e patrimonial diz respeito ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central para intermediar a recuperação de valores em casos de fraudes ou falhas operacionais.
O sistema já previa que a vítima de um golpe teria até 80 dias, contados a partir da data da transferência original, para acionar o banco e tentar reaver os recursos. Contudo, o grande foco da nova norma é fechar uma brecha explorada por criminosos contra comerciantes, prestadores de serviços e lojistas, conhecida como o "golpe do MED" ou da dupla devolução.
Nesse tipo de fraude, um suposto cliente entra em contato alegando ter feito um Pix por engano — muitas vezes com valor superior ao devido — e solicita ao comerciante a devolução da quantia. O erro comum, e que abre espaço para o golpe, é o lojista realizar uma nova transferência manual para uma chave informada pelo indivíduo, agindo de boa-fé.
O problema se concretiza porque, simultaneamente, o golpista aciona o MED junto à sua própria instituição financeira alegando fraude na transação original. Se o mecanismo for acionado e houver saldo disponível, o estorno ocorre pelo sistema oficial, fazendo com que o fraudador receba o valor duas vezes: a primeira pela transferência nova enviada pelo lojista, e a segunda pelo próprio banco via MED.
Para coibir essa prática, o Banco Central ampliou de 30 para 80 dias o prazo para que os recebedores contestem uma devolução considerada indevida. A contagem, neste caso, inicia-se a partir da data em que o dinheiro foi debitado da conta do recebedor pela devolução. Com o prazo estendido para quase três vezes o tempo anterior, empresas e autônomos ganham margem para reunir comprovantes fiscais, registros de entrega e documentos que comprovem a legitimidade da venda.










