PATROCÍNIO (MG) – Morreu na noite desta terça-feira, 3 de novembro, Vânia Abadia de Souza Ferreira, conhecida como Vânia Libras, professora e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ela tinha uma trajetória marcada pela educação, inclusão, acessibilidade e defesa dos direitos da comunidade surda.
Recentemente, Vânia sofreu o rompimento de um aneurisma e precisou passar por uma cirurgia. Durante o tratamento, permaneceu entubada, mas apresentou piora em seu quadro clínico e não resistiu.
Vânia era docente da disciplina de Libras em diversos cursos do Centro Universitário do Cerrado (UNICERP) desde 2008. Também atuava como Tradutora e Intérprete de Língua de Sinais (TILS) no Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), Campus Patrocínio.
Homenagem à profissão e à inclusão
Em uma entrevista concedida ao Patrocínio On-line, por ocasião do Dia Mundial do Tradutor e Intérprete, celebrado em 30 de setembro, Vânia falou sobre a importância da profissão e o significado de atuar como ponte entre diferentes línguas e culturas.
Na ocasião, destacou que ser tradutora e intérprete vai muito além de transmitir palavras, representando também um compromisso com o acesso à comunicação e o protagonismo das pessoas surdas.
“Ser tradutora e intérprete é ser ponte. É garantir que uma ideia não se perca por causa de um idioma. É dar protagonismo ao surdo, é levar conhecimento, cultura e afeto de um mundo para outro.
Não é só trocar palavras. É traduzir intenções, contextos e emoções. É respeitar a história de quem fala e a de quem escuta”, afirmou.
Vânia também ressaltou a responsabilidade de garantir que todas as pessoas tenham suas mensagens compreendidas e respeitadas.
“Quando eu interpreto em Libras, quando eu traduzo um texto, quando eu faço a mediação entre duas línguas, eu não estou só trabalhando. Eu estou dizendo: ‘Você importa, sua mensagem merece chegar’”, declarou.



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