# Eustáquio Amaral

Minas Vive As Últimas Horas De Seu Pior Governador

19 de Janeiro de 2019 às 11:51

Tragédia. A política também tem a sua. Principalmente nesse século, com frequência, ela aconteceu no Brasil. Porém, em Minas, tomou proporções inesperadas. A péssima administração governamental do período 2015-2018 afetou todos os 853 municípios e o funcionalismo mineiro, e, destruiu a estrutura de governo existente até então. Patrocínio sentiu na pele o fracasso liderado por Fernando Pimentel.

AS CIFRAS DA DÍVIDA – A comissão de transição do Governo Romeu Zema calcula em algo em torno de R$ 30 bilhões a herança maldita. Ou seja, o atual governo deixará para ser paga R$ 30 bilhões e nenhum dinheiro no caixa estadual. A Associação Mineira de Municípios (AMM) afirma que desse montante de R$ 30 bilhões, a dívida em aberto com as cidades do Estado chega a R$ 11 bilhões. Para ser paga de imediato. Isso é sonho. É apenas desejo dos prefeitos. É sabido que todos, uns mais, outros menos, estão enfrentando dificuldades. O Estado vivencia o caos.

CAUSAS – O aumento do custo da previdência. O inchaço do Governo (excesso de pessoas desocupadas nas secretarias e empresas como Cemig, BDMG, Copasa e Codemig). A herança de dívida de governos anteriores (entretanto, o atual multiplicou por dez (10) o tamanho dessa dívida). A falta de negociação com o Governo Federal. Concessão política de aumentos salariais para setores do governo sem a mínima condição de dá-los. Enfim, esse Governo que sai não fez o dever de casa. Pura incompetência administrativa. Viveu de acusações, não lhe sobrando tempo para trabalhar e não estancar a sangria existente.

E PATROCÍNIO? – O Município tem mais de R$ 20 milhões a haver do Estado. Não contando os atrasos habituais das cotas de ICMS. São recursos do Fundeb (responsável pela manutenção da educação), da saúde, até de IPVA, que formam o débito em aberto. A transferência do ICMS e Fundeb é semanal. E é constitucional. Ou seja, é obrigatória. Não é nenhum favor.

TRISTE LEMBRANÇA – Há quatro anos, a liderança política rangeliana (a maioria), inclusive da Prefeitura, apoiou a campanha desse governo que ora se despede. Uma verdadeira aposta em cavalo paraguaio. Quem fez a aposta não tem direito de reclamar agora. Poderá apenas refletir. O que poderá mitigar o erro da turma do “vira folha” é que muitos municípios mineiros também fizeram o mesmo.

MAIS OPINIÃO – Na edição de quarta-feira, dia 12, do jornal “O Tempo”, de BH, pode ser lida a coluna de Paulo Diniz. O título já diz muita coisa: “Avaliando a gestão de Pimentel: o pior governador em 300 anos?”.

SÓ PARA COMPARAR – Corrigindo ou atualizando os valores, os governos Aécio-Anastasia-Alberto destinaram para o município de Patrocínio, na área da saúde, mais de R$ 60 milhões. Já o governo Pimentel pouco mais de R$ 7 milhões. Mesmo considerando os períodos de 12 anos versus 4 anos, é uma “senhora diferença” que deva ser considerada. Nessa comparação o aspecto político, pessoal e de honestidade de cada um dos quatro governadores é deixado de lado.  

SÍNTESE – Os governos 2003/2014 aplicaram, em média, mais de R$ 2 milhões ao ano no setor saúde de Patrocínio. Curto e grosso, o governo que sai aplicou na saúde patrocinense em torno de 13% do que os governos anteriores (2003-2014) aplicaram. Deveria ter aplicado no mínimo 30%. As situações atuais da Santa Casa, Hospital do Câncer, Prefeitura, Consórcio Intermunicipal, antigo Centro Viva Vida e Prefeitura demonstram isso. Essa calamidade!

POR FIM – “Águas passadas não movem moinhos” diz provérbio de nossos avós. Letras musicais também fazem o mesmo. Daí, esse governo beirando a sepultura deixou de ter vida. Não deixa saudade. Deixa arrependimentos. Deixa um bom aprendizado de como não fazer. A esperança nesse cenário de terceira guerra mundial chama-se Romeu Zema. Esperança e fé para dias melhores. Principalmente, na saúde. Sobretudo no Alto Paranaíba. Ave!

 

PALAVRA FINAL

 

TESTEMUNHA OCULAR – Este escriba amador pertenceu aos quadros técnicos do Governo de Minas desde Rondon Pacheco, que o contratou. Passou por Aureliano Chaves, Ozanan Coelho, Francelino Pereira, Tancredo Neves, Hélio Garcia (dois governos), Newton Cardoso, Eduardo Azeredo, Itamar, Franco Aécio Neves (dois governos), Antônio Anastasia, Alberto Pinto Coelho por nove meses e Fernando Pimentel.

Primeira Coluna publicada na Gazeta, edição de 15/12/2018.

 

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