# Eustáquio Amaral

MUDO FALOU, PARALÍTICO ANDOU, CÂNCER CUROU E CRIANÇA VENCEU

30 de Agosto de 2026 às 13:53

                                                                                                             

Santidade. Padre Eustáquio, beato (quase santo), completa, em 30 de agosto de 2026, 83 anos de seu falecimento em BH. O mais célebre dos holandeses que viveram em Patrocínio (de 1926 até os anos 80) residiu no Ginásio Dom Lustosa, de 13 de outubro de 1941 a 12 de fevereiro de 1942. Antes, a partir de 1926 visitou a cidade por diversas vezes, vindo, sobretudo, de Água Suja (Romaria). Nos quatro meses que foi capelão da pequenina Igreja Santa Luzia, no então, Largo de Santa Luzia, muitos milagres ou força espiritual aconteceram. Narrativas e testemunhos não faltam. Em louvação a Padre Eustáquio, nesse “30 de agosto”, recorre-se a nove eventos de suprema religiosidade, ocorridos em Patrocínio (e registrados a partir de 2006 neste minifúndio). Todos fatos com testemunhas ou documentados em jornais ou publicações. Milagre? Fé? Verdade? Versão? Não importa. Aconteceu. O tempo ratificará e explicará melhor. O entendimento é peculiar.

 

MULHER VOLTA A ANDAR – Novembro de 1941. Praça da Matriz. Multidão em frente à Igreja. Padre Eustáquio ora e conversa mansamente com os fiéis na porta da Igreja. As aulas da Escola Normal terminam. Alunas uniformizadas correm, curiosas, em direção à entrada da igreja Matriz. Aproxima-se um carro preto importado (não havia automóveis nacionais), com uma senhora deitada no banco traseiro. Ambrosina era o seu nome. Euclides, o motorista, o seu marido. Esse pede ajuda ao sacerdote, pois a sua esposa não andava havia muito tempo. Caminhando como um anjo, o padre se dirige ao automóvel. Cumprindo o seu ritual de fé, com olhos nos céus, Padre Eustáquio, dando-lhe a mão, pediu para Ambrosina caminhar. E ela caminhou. E caminhou pelos muitos anos de sua vida. Testemunha ocular: a aluna da Escola Normal, a patrocinense Waldete Caldeira, que residia no bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte. Waldete teve um filho com o nome de José Eustáquio. Felizmente, vivo. Ascendentes e descendentes de D. Waldete confirmam e confirmaram a sua narrativa.

 

QUEM É, QUEM FOI WALDETE CALDEIRA? – Ou Dona Waldete Caldeira Nunes. Nasceu em PTC, em 23 de junho de 1922. Pertencente à Família Caldeira patrocinense. Faleceu na capital, aos 102 anos, em 28 de agosto de 2024. Curiosamente, quase no dia de Padre Eustáquio. Casada com Aristóteles Afonso Nunes, ex-gerente do BEMGE, em Patrocínio. Em 1970, juntamente com os quatro filhos, o casal mudou-se para BH. Católica fervorosa, residia próximo à Assembleia Legislativa.

 

MUDO FALA NA IGREJA DE SANTA LUZIA – Dezembro de 1941. “Coroinha” do capelão Padre Eustáquio leva à sua presença o amigo Onofre, conhecido como “Mudinho”. O santo sacerdote ora em latim e o abençoa. De repente, o menino grita pela sua mamãe, que o acompanhava. O “coroinha” era Luiz Gonzaga Nunes (falecido), filho do comerciante Manoel Nunes (tio de Dulce Castro e da cronista Mônica Othero).

 

OUTRO MUDO FALA – Conhecido barbeiro (cabelereiro) na cidade, nos anos 40, Abner Romão, também abençoado pelo sacerdote holandês, conseguiu pronunciar algumas palavras. Fonte: escritora Lucélia Borges, em seu belo livro sobre Padre Eustáquio.

 

GRAVIDEZ COM PROBLEMAS TERMINA SEM PROBLEMAS – Praça Honorato Borges ou Largo do Rosário, nº 930 residia a família da Sra. Oneida Castro. Essa com gestação de alto risco, segundo os médicos. Padre Eustáquio visitou a gestante, com imagem de São José (ele era devoto de São José). Percorreu toda a casa e orou. Final: parto normal, criança normal, vida normal.   

 

FAMOSA CRIANÇA ABENÇOADA – O icônico médico Walter Pereira Nunes (falecido), quando em vida, dizia que quando tinha seis anos de idade foi agraciado pelo sagrado homem de batina branca, superando temível adversidade (não revelou mais detalhes).

 

PARALÍTICA ARAXAENSE ANDA... – Nessa ocasião da permanência de Padre Eustáquio na cidade (1941), houve invasão de fiéis de muitas cidades, inclusive da capital brasileira, Rio de Janeiro. O objetivo de todos eram o acolhimento espiritual e a cura. Como foi o caso da jovem Jovenília Lemos (prima da professora Tuniquinha Borges), advinda de Araxá. Jovenília permaneceu em Patrocínio, por algum tempo, porque o seu desejo era andar. Abençoada pelo milagroso Padre, algumas vezes, conseguiu caminhar, pouco tempo depois, segundo Tuniquinha Borges (falecida há cinco anos), que a hospedou em sua casa.

 

CRIANÇA SORRI NOVAMENTE – Painel na Igreja de Padre Eustáquio, em BH, no ano de 2016, informa sobre um milagre, ocorrido em Patrocínio, atribuído ao sacerdote, que faleceu em 30 de agosto de 1943. Uma mulher de nome Zulmira, residente na zona rural do Município, tinha um filho, com rara doença. A criança não parava de chorar. E a causa do choro era desconhecida. O registro da igreja relata que, após contato com Padre Eustáquio, ocorreu a cura para a sofrida criança. A criança cessou o choro e... voltou a sorrir.

 

PADRE PERSEGUIU HOMEM QUE GOSTAVA DE CACHAÇA – Anos 50. Conhecido galã patrocinense, às vezes peão (boiadeiro), era figura folclórica. Seu nome: Romeu Alves ou Romeuzão (tio do inesquecível radialista/vereador Roberto Taylor). Mas Romeu desgostou a sua mãe Stela Alves. Pois, se envolveu demais com a bebida alcóolica. Vivia de bar em bar. Muitas vezes de calça e paletó. Dona Stela teria feito promessa e pedido à alma de Padre Eustáquio para colocar fim na “bebedeira” de seu filho. Certo dia, sóbrio, Romeu chegou em casa, irado por estar abstêmio. Diante da indagação de sua mãe sobre a sua ira, Romeu disse que não conseguiu beber, porque todo bar que ele entrava, via um padre de batina branca e capa preta. Dona Stela insistiu para que ele dissesse que padre era. Romeu não teve dúvida. Apontou para a parede onde estava a foto/imagem de Padre Eustáquio e disse: “... é aquele...” Isso, aproximadamente, quinze anos após a morte do sacerdote. História oral de quem viveu com Romeuzão e sua família. Realidade? Lenda? Estória?

 

CURA DE CÂNCER TAMBÉM – O jornal Estado de Minas noticiou, há quase cinco anos, que um dos possíveis milagres de Padre Eustáquio é uma cura de leucemia em Patrocínio. Agora, esse possível milagre transforma-se em um eventual quesito para a canonização (torná-lo santo). Há versão que é a cura de uma criança (hoje, seria adulto), em decorrência da fé e promessa ao Padre, realizada pelos seus pais. Estaria o fato sendo investigado pela Igreja, à época.

 

 

([email protected])   ***   Crônica, edição de 30/08/2026, também publicada na RedeHoje e redes sociais.