Ferrovia. Como tem história ou histórias a “estrada de ferro” (termo antigo para ferrovia). Mas o que interessa à região de Patrocínio são as narrativas sobre a existência das Estações (ferroviárias) de Patrocínio e de sua antecessora Catiara. Gente indo, gente voltando, principalmente da bela jovem capital mineira (BH inaugurada em 12/12/1897, inspirada em Paris e Washington, foi a primeira cidade planejada da República).
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1915: PATROCÍNIO VIU A “MARIA FUMAÇA” PELA PRIMEIRA VEZ – Mas a ferrovia foi inaugurada em 1918, diria a maioria dos patrocinenses. Sim, inaugurada na cidade de Patrocínio, em 1918. Todavia a “estrada de ferro” chegou no Município de Patrocínio em 1915. Pois, nessa época o povoado de Catiara pertencia a Patrocínio, juntamente com o distrito de São Sebastião da Serra do Salitre (emancipado em 1953, quando levou consigo Catiara).
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VIAGEM PARA BH SÓ COM CHAPÉU E BOINA – No princípio da ferrovia em Patrocínio (a partir de 1918) ou de Catiara (a partir de 1915) a viagem para BH demorava em torno de um dia (hoje, o ônibus direto leva cinco horas). A professora Toniquinha Lemos Borges (mãe de Brígida e Lucélia Borges) fez a viagem BH-PTC diversas vezes. Até 1959, era somente pela “Maria Fumaça” (locomotiva movida por lenha, carvão, vapor e fumaça). No vagão de primeira classe imperava elegância. Homens com terno, gravata e chapéu. Mulheres com vestidos e boina. Às vezes, uma capa denominada de guarda-pó (contra poeira e resíduos de fumaça).
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A CONSTRUÇÃO DE CATIARA–PATROCÍNIO – Durou três anos. Inclusive foi edificada a estação de Salitre. Participaram da obra centenas de operários (a maioria de cor negra, devido a abolição). Depois de Patrocínio, o trecho ferroviário demorou um pouco mais até Monte Carmelo, via Folhados, cerca de 10 anos.
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A LIGAÇÃO DE BH COM PATROCÍNIO – Passava (e passa) por Betim, Itaúna, Divinópolis (centro ferroviário), Garças de Minas (Formiga), Bambuí, Campos Altos, Ibiá, Catiara, Salitre e Patrocínio. As estradas de ferro ou “trem de ferro” tiveram vários nomes. No primórdio, Estrada de Ferro Goyaz (1918-1920), Oeste de Minas (1920-1931), Rede Mineira de Aviação (1931-1965), essa a mais romântica, Centro-Oeste (1965-1975), Rede Ferroviária Federal (1975-1996), e, a partir daí, a atual Ferrovia Centro-Atlântica (privatizada).
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VIAGEM INACREDITÁVEL – Em 1965, jovem estudante patrocinense resolveu retornar de BH a Patrocínio de trem. Horário de partida na Estação Central da Capital foi às 17h. Cinco vagões de passageiros, vagão-restaurante, cadeiras de madeira. Assim, começou a sentimental viagem. O trecho mais difícil, devido à Serra da Saudade e adjacências, era entre Garças e Campos Altos. Término: chegada em Patrocínio ao meio-dia do dia seguinte. Dezenove (19) horas de viagem no trem de ferro. A locomotiva era a diesel, início de novo tempo. A locomotiva a diesel começou, aos poucos, em 1959 e a “Maria Fumaça” desapareceu no trecho em 1965. O Expresso União, ônibus Ciferal, na mesma época, levava, no mínimo, 12 horas na estrada de chão (poeira ou barro), via Rio Paranaíba, São Gotardo, Melo Viana (hoje, Serra da Saudade), Araújos e São Gonçalo do Pará (esse dito jovem é o autor desta narração).
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“QUARTA-FEIRA” – Anos 30. Político patrocinense ia sempre a BH. O trem não era diário, na ocasião. Parece, que teria namorada na capital. Como sempre retornava no primeiro trem da semana (de passageiros), que era quarta-feira. Por isso, ganhou o “apelido” de seus amigos de “Quarta-feira”. Verdade ou não, é história oral.
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MONTE CARMELO TAMBÉM – A “Maria Fumaça” também ligava Patrocínio a Folhados, Monte Carmelo e Três Ranchos (GO). Além de Salitre de Minas. Passageiros não faltavam. Eram (e foram) muitos.
([email protected]) *** Primeira Coluna, edição de 02/08/2026, também publicada na RedeHoje e redes sociais.