Pesquisadora Tatiana Sampaio é homenageada na II Mostra Mulheres Extraordinárias do IFTM Campus Patrocínio

14 de Março de 2026 às 09:09

O IFTM Campus Patrocínio realizou, na quinta-feira (12/3), a 2ª edição da Mostra Mulheres Extraordinárias, iniciativa que integra um projeto de extensão voltado à valorização de trajetórias femininas e ao estímulo ao protagonismo das mulheres em diferentes áreas da sociedade.

Um dos destaques da programação foi a participação da bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, pesquisadora reconhecida por estudos sobre a polilaminina, substância investigada no tratamento de lesões na medula espinhal.

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A atividade foi coordenada pela professora Bianca Gonçalves e desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos de Diversidade, Sexualidade e Gênero (Nedseg) do campus. O projeto mobiliza estudantes na pesquisa de trajetórias femininas que marcaram diferentes áreas do conhecimento e da vida pública.

“Todo ano realizamos essa mostra a partir da leitura de um livro chamado Mulheres Extraordinárias. Os estudantes selecionam em torno de 20 mulheres. Temos categorias como ‘uma pessoa do IFTM’ e ‘uma pessoa da região’. Depois há uma votação interna, e as dez mais votadas ganham quadros e vídeos. Os professores também desenvolvem trabalhos em sala de aula para contar a trajetória dessas mulheres”, explica Bianca.

Entre as escolhidas nesta edição esteve a pesquisadora Tatiana Sampaio, que participou do evento com uma palestra destinada a estudantes e ao público inscrito, incluindo pessoas cadeirantes e com algum tipo de deficiência.

Ciência, universidade e formação de novos pesquisadores

Antes da palestra, a professora Tatiana Sampaio, ao lado da coordenadora do evento, concedeu uma coletiva de imprensa com a presença do site Patrocínio Online e de outros veículos de comunicação de Patrocínio e região.

Na ocasião, Tatiana destacou a importância do contato entre instituições de ensino e pesquisa para a formação de novos cientistas. O IFTM é uma instituição que trabalha intensamente com iniciação científica, e a pesquisadora ressaltou que, em seu laboratório na UFRJ, muitos pesquisadores iniciaram a trajetória ainda na graduação ou em atividades de iniciação científica.

“Eu sou professora da UFRJ e a gente faz muita iniciação científica lá. No meu laboratório, todos os alunos de pós-graduação vieram da iniciação científica. Essa interação do laboratório e da pesquisa com a universidade, tanto no nível de graduação quanto no ensino médio, é a nossa realidade. Sem isso, a gente não anda”, destacou a professora.

Durante a entrevista, Tatiana também comentou sobre a repercussão pública de sua pesquisa e sobre o interesse crescente da população pela ciência. Ela afirma que o contato com estudantes e com o público tem sido um dos aspectos mais marcantes da divulgação científica relacionada ao estudo.

“Eu fico muito emocionada e surpresa. A gente sempre ouve que brasileiro não gosta de ciência, mas eu não vejo isso. O brasileiro ama ciência. A alegria que vejo nas pessoas que vêm falar comigo é de interesse real. Sobre a polilaminina, é um trabalho em desenvolvimento, já está mais para dar certo do que para não dar. Mas, mesmo que não desse, só o fato de conseguirmos pautar o interesse pela pesquisa e a percepção de que a universidade é importante já é maravilhoso.”

Mulheres na ciência e inspiração para novas gerações

Outro tema abordado durante a coletiva foi o papel das mulheres na produção científica e na construção de trajetórias acadêmicas. Para Bianca Gonçalves, iniciativas como a Mostra Mulheres Extraordinárias ajudam a tornar visíveis histórias que muitas vezes não aparecem nos registros tradicionais.

“Temos uma função social. É importante trazer trajetórias de mulheres que são invisibilizadas. Ano passado contamos a história de Ismene Mendes, ex-vereadora de Patrocínio, e muitos alunos que moravam em ruas com o nome dela não conheciam sua história. Reverter essa invisibilidade histórica é nosso papel enquanto instituição de ensino público.”

Durante a coletiva, Tatiana também respondeu a uma pergunta feita pelo site Patrocínio Online sobre a importância de incentivar meninas e jovens mulheres a considerar a carreira científica. Segundo ela, a pesquisa pode ser um caminho estimulante para quem se interessa pela produção de conhecimento.

“Diria que as portas estão abertas. É uma carreira animada, sem rotina e com muita liberdade. O desafio é conciliar a vida profissional com a familiar. A carreira de pesquisa demanda muita dedicação de tempo.”

Também participaram alunas do IFTM que integram um projeto de comunicação e que tiveram a oportunidade de fazer perguntas à pesquisadora.

Um jornalista entregou à pesquisadora um trabalho elaborado por uma professora da rede de educação de Patos de Minas. No Dia das Mulheres, essa professora também desenvolveu uma atividade tendo a pesquisadora como foco. Além disso, a pesquisadora recebeu dos alunos réplicas de polilaminina.

Após a coletiva de imprensa, a pesquisadora realizou mais duas palestras: uma destinada ao público previamente inscrito e outra voltada aos alunos do IFTM.

O prefeito municipal, Gustavo Brasileiro, também esteve presente, acompanhado do secretário de Educação, Alexandre Vitor, e da secretária de Saúde, Luciana Rocha.

Durante entrevista ao site Patrocínio Online, o prefeito destacou a importância do evento para a cidade e para as pessoas que buscam esperança por meio da ciência.

“Para aqueles que são de Patrocínio e que vivem situações difíceis, saber que existem pesquisas que podem trazer esperança é muito importante. Este é um evento muito bom, que valoriza mulheres extraordinárias e também uma brasileira que se destaca na ciência. Precisamos valorizar nossos talentos e celebrar esse momento”, afirmou.

O prefeito também ressaltou a presença da Secretaria Municipal de Saúde no evento e a possibilidade de diálogo com a pesquisadora.

“A Secretaria de Saúde também está aqui conosco, acompanhando o evento. Vamos conversar com a pesquisadora para entender melhor o trabalho que ela desenvolve e ver quais são as possibilidades e caminhos que podem surgir para as pessoas de Patrocínio que vivem essa situação e buscam esperança”, disse.

Os estudantes puderam conhecer a pesquisadora, prestar homenagens, tirar fotos e acompanhá-la em uma visita a algumas salas do campus.

O evento reuniu um grande público e contou com a participação ativa de estudantes, professores e organizadores.