17 de Agosto de 2026 às 16:45

Equipe do MG Transplantes realiza captação de órgãos de doadora na Santa Casa em Patrocínio após doação autorizada pela família

A doadora foi uma jovem mulher que, mesmo após a morte, exerceu um ato de amor ao próximo.

No domingo, a equipe da MG Transplantes (Central Estadual de Transplantes), que coordena a captação, doação e distribuição de órgãos e tecidos no estado de Minas Gerais, esteve em Patrocínio (MG) para realizar a captação dos órgãos de uma jovem mulher, doadora, que, com a autorização da família, teve os órgãos retirados após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica e a realização dos procedimentos previstos para a avaliação do potencial doador.

A quantidade de órgãos captados não foi divulgada. Os órgãos viáveis são destinados a pacientes que aguardam por transplante e que atendem aos critérios técnicos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes, como compatibilidade, urgência e tempo de espera. A distribuição é realizada por meio de sistema informatizado, garantindo critérios técnicos e transparência no processo.

Paulo Eduardo Gonçalves, médico plantonista da UTI da Santa Casa, que acompanhou o procedimento, destacou a importância desse ato de amor ao próximo e esclareceu que o processo de doação e captação segue protocolos rigorosos, garantindo segurança tanto para o doador quanto para os possíveis receptores.

A confirmação da morte encefálica segue critérios médicos e protocolos específicos. Somente após a confirmação do diagnóstico e a autorização da família é que o processo de doação pode prosseguir. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico por equipes autorizadas e capacitadas para esse tipo de procedimento.

Durante todo o processo, são realizados procedimentos de avaliação clínica e exames para verificar a viabilidade dos órgãos e identificar possíveis riscos de transmissão de doenças ou infecções aos receptores. A segurança do transplante é uma das etapas fundamentais do sistema de doação de órgãos.

Após a autorização da família e a confirmação da morte encefálica, a Central Estadual de Transplantes coordena a logística necessária para a captação e a distribuição dos órgãos. Quando há mais de um receptor compatível, são considerados critérios técnicos, como compatibilidade sanguínea, características antropométricas, gravidade do quadro clínico e tempo de espera, entre outros fatores previstos no sistema de transplantes.

A retirada dos órgãos é realizada por equipe especializada e, após o procedimento, o corpo do doador é devidamente recomposto e liberado para os familiares, não impedindo a realização do velório.

A doação de órgãos é considerada um ato capaz de beneficiar vários pacientes. Em situações de morte encefálica, podem ser doados diferentes órgãos e tecidos, desde que apresentem condições adequadas para transplante após a avaliação das equipes responsáveis.

O caso ocorrido em Patrocínio reforça, ainda, a importância da decisão familiar no processo de doação. No Brasil, após a confirmação da morte encefálica, a autorização para a retirada de órgãos e tecidos de um doador falecido é responsabilidade da família. Por isso, as autoridades de saúde recomendam que as pessoas conversem previamente com seus familiares sobre o desejo de serem doadoras.

Mais do que um procedimento médico de alta complexidade, a doação representa um gesto de solidariedade que pode proporcionar uma nova oportunidade de vida a pessoas que aguardam por um transplante.