
Foto: LC Agência/Divulgação
O jornalismo brasileiro despede-se de uma de suas figuras mais emblemáticas. Morreu aos 77 anos o jornalista Carlos Américo Aguiar Monforte, pioneiro do telejornalismo nacional e um dos primeiros profissionais a exercer o modelo de âncora e editor-chefe na televisão do país. A informação foi confirmada à TV Globo pela família do jornalista, segundo reportagem do G1
Formado pela Faculdade de Comunicação de Santos em 1972, Carlos Monforte construiu uma carreira sólida que ajudou a moldar a forma como a notícia é levada ao público na televisão. Antes de brilhar nas telas, iniciou sua trajetória na imprensa escrita, passando por redações de peso como o jornal A Tribuna, em Santos, e O Estado de S. Paulo.
A Chegada à TV Globo e Grandes Coberturas
A relação profissional com a Rede Globo teve início em 1978, quando foi contratado como repórter local. Sua versatilidade e faro jornalístico o conduziram rapidamente à produção de reportagens especiais para grandes produções da emissora, como o Jornal Nacional e o Fantástico.
Entre os momentos marcantes de sua trajetória nos primeiros anos na emissora destacam-se as coberturas de relevância nacional, a exemplo das históricas greves dos metalúrgicos no ABC Paulista. O rigor profissional e a clareza na apuração o levaram a assumir, em 1982, a editoria de política do Jornal da Globo, além da editoria e apresentação do Bom Dia São Paulo no mesmo período.
Pioneirismo no Bom Dia Brasil
Com a criação e o lançamento do Bom Dia Brasil em janeiro de 1983, Carlos Monforte alcançou um dos pontos altos de sua carreira ao assumir o posto de primeiro editor-chefe e apresentador do telejornal de rede. À frente da atração matinal por nove anos, ele consolidou o formato que levava a notícias e análises de Brasília e do país diretamente para o início do dia dos brasileiros, tornando-se uma referência incontestável de credibilidade.
Consolidação na GloboNews e a Transição Digital
Após passagens por importantes projetos fora da telinha — incluindo a estruturação do departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) na década de 1990 —, Monforte retornou à televisão para integrar a recém-criada GloboNews a partir de 1998. Na emissora por assinatura, atuou no programa Espaço Aberto, assumiu a coordenação da redação em Brasília no final de 2000 e comandou a bancada do Jornal das Dez na capital federal.
Após quase quatro décadas de dedicação à empresa, encerrou seu ciclo na televisão em 2016. Em um desdobramento natural de sua vocação analítica e intelectual, lançou em 2022 a obra literária “O papel do jornalismo sem papel”, na qual debruçou-se sobre os impactos e os desafios da transformação digital nas redações contemporâneas.
Carlos Monforte deixa um legado inestimável para a história da comunicação no Brasil, marcado pela seriedade, pelo rigor apuratório e pela paixão inesgotável pelo jornalismo diário.
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